A intervenção precoce é um dos pilares fundamentais no cuidado a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Diversas pesquisas demonstram que iniciar terapias nos primeiros anos de vida está associado a melhores resultados em linguagem, cognição e habilidades sociais. No entanto, um obstáculo significativo que afeta diretamente a eficácia dessas intervenções é a alta rotatividade de terapeutas nas clínicas e instituições de saúde suplementar.
A continuidade do cuidado como fator terapêutico
Quando há troca constante de profissionais, perde-se o vínculo estabelecido com a criança, a coerência nos objetivos terapêuticos e a evolução do plano de tratamento. Para crianças com TEA, que muitas vezes têm dificuldades em lidar com mudanças, isso pode representar retrocessos significativos no progresso já alcançado.
Fatores que explicam a rotatividade
- Baixos salários ou vínculos frágeis de contratação, como prestação de serviço por sessão;
- Ausência de supervisão clínica e feedback estruturado, o que desmotiva o profissional;
- Pouca valorização da capacitação contínua por parte das instituições;
- Sobrecarga emocional, especialmente em contextos de alta demanda e baixa articulação entre equipes.
Caminhos possíveis
Operadoras de saúde e gestores clínicos podem adotar estratégias como:
- Implementação de modelos de cuidado estruturados, com supervisão técnica frequente;
- Estímulo à permanência por meio de planos de carreira, bônus por desempenho e formação continuada;
- Uso de tecnologias como a plataforma NeuroSteps, que permite continuidade do plano terapêutico mesmo com substituição pontual de terapeutas, garantindo o acesso a relatórios, histórico clínico e indicadores de progresso individualizados.
A qualidade da intervenção precoce no TEA não depende apenas da técnica, mas da consistência humana por trás dela. Terapeutas não são apenas executores de protocolos — são vínculos afetivos, mediadores de confiança e guias do desenvolvimento infantil. Ao reconhecer que a rotatividade profissional é uma barreira à eficácia terapêutica, os gestores e clínicas se colocam em posição de protagonismo na transformação dessa realidade. Investir em permanência, capacitação e valorização profissional é investir no progresso das crianças e na sustentabilidade do cuidado.