Checklists de sinais precoces para identificação de autismo

A detecção precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é essencial para garantir que a criança tenha acesso a intervenções que favoreçam seu desenvolvimento. Estudos indicam que os primeiros sinais de autismo podem ser observados antes dos 2 anos de idade, mas o diagnóstico clínico muitas vezes ocorre mais tarde. Para auxiliar na identificação de sinais precoces, um dos instrumentos mais utilizados globalmente é o Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised (M-CHAT-R).

O que é o M-CHAT-R?

O Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised (M-CHAT-R) é uma ferramenta de triagem desenvolvida para identificar sinais precoces de autismo em crianças entre 16 e 30 meses de idade. Ele é um questionário de fácil aplicação, preenchido pelos pais ou responsáveis, e utilizado por profissionais de saúde para determinar o risco de TEA e a necessidade de uma avaliação mais detalhada.

O M-CHAT-R é uma versão revisada do M-CHAT original, com aprimoramentos para reduzir falsos positivos e aumentar a precisão na identificação de crianças que realmente necessitam de acompanhamento especializado. Além disso, ele inclui um segundo estágio opcional de entrevista, chamado Follow-Up, que ajuda a esclarecer respostas iniciais ambíguas.

Como Funciona o M-CHAT-R?

O checklist consiste em 20 perguntas simples sobre o comportamento da criança em diferentes contextos sociais e comunicativos. Algumas perguntas incluem:

  • Seu filho olha para você quando você chama o nome dele?
  • Seu filho aponta para mostrar algo que lhe interessa?
  • Seu filho traz objetos para você olhar, como um brinquedo ou livro?
  • Seu filho imita ações suas, como bater palmas ou fazer caretas?
  • Seu filho responde ao sorriso de outra pessoa com um sorriso?

As respostas são analisadas para determinar se a criança apresenta risco baixo, moderado ou alto para TEA.

Interpretação dos Resultados do M-CHAT-R

Após o preenchimento do checklist, a pontuação total classifica a criança em uma das três categorias:

  • Risco Baixo (0-2 respostas atípicas): Crianças nessa faixa não apresentam risco significativo para TEA, mas o desenvolvimento deve continuar sendo monitorado regularmente.
  • Risco Moderado (3-7 respostas atípicas): É recomendável que os pais realizem a segunda etapa (Follow-Up), uma entrevista estruturada para esclarecer dúvidas e evitar falsos positivos. Se os sinais persistirem, a criança deve ser encaminhada para avaliação especializada.
  • Risco Alto (8 ou mais respostas atípicas): O encaminhamento imediato para uma avaliação diagnóstica aprofundada é altamente recomendado.

O M-CHAT-R é uma ferramenta valiosa, pois permite que pais e profissionais de saúde identifiquem precocemente crianças que podem se beneficiar de uma avaliação detalhada. No entanto, ele não é um teste diagnóstico. O diagnóstico de TEA deve ser realizado por uma equipe multiprofissional, considerando avaliações clínicas e comportamentais mais abrangentes.

Se a criança apresentar risco moderado ou alto no M-CHAT-R, é essencial procurar especialistas como pediatras do desenvolvimento, neurologistas infantis e psicólogos com experiência em autismo. A intervenção precoce pode ter um impacto significativo no desenvolvimento da criança, promovendo avanços na comunicação, socialização e aprendizado.

O M-CHAT-R é um dos instrumentos mais amplamente utilizados para a triagem de sinais precoces de autismo, auxiliando na identificação de crianças que podem necessitar de acompanhamento especializado. Seu uso adequado pode acelerar o acesso a intervenções eficazes, melhorando a qualidade de vida da criança e de sua família.

A identificação precoce pode transformar vidas. Pais e profissionais informados desempenham um papel essencial na promoção do desenvolvimento infantil e na busca por intervenções adequadas.

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