O Papel do Gestor da Saúde Suplementar no Fomento a Práticas Baseadas em Evidência no TEA

O crescimento no número de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nos últimos anos tem exigido respostas cada vez mais qualificadas das operadoras de saúde. Diante desse cenário, o gestor da saúde suplementar ocupa um papel estratégico não apenas na organização do cuidado, mas também no incentivo ao uso de práticas baseadas em evidência. Essa abordagem é essencial para garantir a efetividade das intervenções, a sustentabilidade dos serviços e a satisfação dos beneficiários.

Por que práticas baseadas em evidência são fundamentais?

Práticas baseadas em evidência (PBE) referem-se à integração entre a melhor pesquisa científica disponível, a experiência clínica dos profissionais e as preferências e características individuais dos pacientes. No contexto do TEA, isso significa adotar intervenções validadas por estudos rigorosos e evitar abordagens sem comprovação ou com baixo impacto no desenvolvimento das habilidades da criança.

A aplicação consistente de PBE contribui para:

  • Maior previsibilidade dos resultados terapêuticos;
  • Otimização dos recursos financeiros e humanos;
  • Redução de judicializações;
  • Fortalecimento da confiança dos usuários no sistema de saúde.

O gestor como agente de transformação

O gestor da saúde suplementar tem a responsabilidade de criar condições para que práticas baseadas em evidência se tornem padrão nos serviços oferecidos. Isso passa por diferentes frentes:

  • Credenciamento criterioso de prestadores, com exigência de formação específica e adesão a diretrizes clínicas;
  • Promoção de programas de educação continuada para terapeutas e equipes técnicas;
  • Definição de protocolos assistenciais baseados em consensos científicos e adaptados à realidade das operadoras;
  • Monitoramento de indicadores de qualidade e desfecho clínico, ao invés de foco exclusivo na quantidade de atendimentos;
  • Apoio à tecnologia e à integração da informação assistencial, favorecendo o trabalho em equipe e a continuidade do cuidado.

Casos de sucesso e ferramentas de apoio

Operadoras que investem em PBE têm observado ganhos expressivos em eficiência assistencial e redução de custos desnecessários. Uma das ferramentas que vem ganhando espaço nesse contexto é a NeuroSteps, uma plataforma digital que organiza o cuidado de crianças com TEA por meio da integração entre profissionais, gráficos de progresso e relatórios personalizados. Soluções como essa ajudam o gestor a acompanhar o desempenho da rede credenciada, promover ações corretivas e fomentar uma cultura de cuidado centrado na qualidade.

Superando desafios e consolidando uma nova cultura

Embora ainda haja barreiras — como resistência à mudança, falta de padronização e limitação de recursos —, o movimento em direção às práticas baseadas em evidência é irreversível. Cabe ao gestor assumir um papel proativo na formulação de políticas internas, no incentivo à capacitação contínua e na valorização de iniciativas comprometidas com a ciência e a ética.

Conclusão

O fomento às práticas baseadas em evidência é um caminho seguro para qualificar o cuidado a pessoas com TEA e garantir a sustentabilidade do sistema suplementar de saúde. O gestor, ao liderar esse processo, contribui diretamente para um modelo de assistência mais justo, eficaz e centrado nas reais necessidades dos pacientes e famílias.

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