O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por desafios na comunicação, na interação social e por padrões de comportamento restritos e repetitivos. Uma das grandes questões debatidas por cientistas e profissionais da saúde há décadas é: quais são as causas do autismo? Ele é genético? Quais fatores influenciam o seu desenvolvimento? As pesquisas mais recentes têm fornecido respostas cada vez mais detalhadas para essas perguntas.
O Papel da Genética no Autismo
Os avanços na genética nas últimas décadas revelaram que o autismo tem uma base hereditária significativa. Estudos com gêmeos, por exemplo, demonstraram que, se um gêmeo idêntico tem autismo, a chance de o outro também apresentar a condição pode ultrapassar 80%. Isso sugere uma forte influência genética no TEA.
Além disso, pesquisas de sequenciamento do genoma identificaram centenas de variantes genéticas associadas ao autismo. Algumas dessas variantes estão em genes envolvidos no desenvolvimento do cérebro, na comunicação entre neurônios e na regulação da expressão genética. Entretanto, não há um único gene responsável pelo TEA. Em vez disso, diferentes combinações de variantes genéticas podem aumentar o risco de desenvolvimento do transtorno.
Outro ponto importante é que algumas formas de autismo podem ser resultado de mutações espontâneas, ou seja, que não foram herdadas dos pais. Essas mutações, conhecidas como “de novo”, ocorrem durante a formação dos gametas ou no início do desenvolvimento embrionário e podem desempenhar um papel relevante em casos de TEA sem histórico familiar.
Influências Ambientais: Além da Genética
Embora a genética tenha um papel central no autismo, estudos mostram que fatores ambientais também podem influenciar seu desenvolvimento. No entanto, é importante destacar que esses fatores não “causam” o autismo por si só, mas podem interagir com predisposições genéticas para aumentar o risco.
Pesquisas apontam que a idade avançada dos pais, complicações durante a gestação e exposição a fatores ambientais específicos (como infecções maternas graves, deficiência de ácido fólico e uso de certos medicamentos na gravidez) podem contribuir para um maior risco de TEA. No entanto, esses fatores têm um impacto muito menor em comparação com a genética.
Vale ressaltar que mitos sobre o autismo, como a alegação de que vacinas poderiam causar o transtorno, foram amplamente desmentidos pela ciência. Estudos robustos com centenas de milhares de crianças demonstraram que não há nenhuma relação entre vacinas e TEA.
O Futuro da Pesquisa sobre as Causas do Autismo
As pesquisas sobre as causas do autismo estão em constante evolução. Avanços na neurociência, na genética e na biologia molecular têm permitido uma compreensão mais profunda dos mecanismos subjacentes ao TEA. Estudos em larga escala, como os que utilizam inteligência artificial para analisar grandes bases de dados genômicos, podem contribuir para identificar padrões mais específicos e desenvolver abordagens mais personalizadas para diagnóstico e intervenção.
Embora ainda não tenhamos todas as respostas, o que já sabemos é que o autismo é uma condição complexa, influenciada por múltiplos fatores genéticos e ambientais. Com a continuidade das pesquisas, espera-se que, no futuro, possamos compreender melhor o TEA e aprimorar as formas de diagnóstico precoce e apoio às pessoas autistas e suas famílias.